quinta-feira, 28 de julho de 2011

Outro empate e a cobrança de um torcedor já sem paciência



     O jogo de ontem no estádio Olímpico entre Grêmio e América-MG pelo Campeonato Brasileiro não foi bom, nada bom. Para falar a verdade, as coisas no Olímpico não estão nada bem há tempos. O clube está a mais de dez anos sem conquistar um título importante e a torcida já está impaciente e cansada. Não concordo com vaias e críticas, penso que se o torcedor comparece ao estádio, que seja para apoiar e torcer. Mas como já disse a fase não está boa, e não está boa há muito tempo, para não dizer, anos. A última grande conquista do clube foi em 2001, quando o tricolor se tornou tetra Campeão da Copa do Brasil.
     Desde então, a participação em importantes competições aconteceu, mas o desempenho do time não foi o suficiente para trazer uma taça de Campeão para o Olímpico. O tricolor até que foi longe, mas ficou no quase, como aconteceu na Taça Libertadores da América em 2002 quando chegou às semifinais sendo derrotado pelo Olímpia do Paraguai, também em 2007 quando chegou à fase final com o Boca Juniors da Argentina, ficando com o vice-campeonato, em 2009, quando foi até a semifinal com o Cruzeiro e em 2011, sendo eliminado logo nas oitavas-de-final pelo Universidad Católica do Chile. Sem contar a Copa do Brasil de 2010, onde o tricolor deparou-se com o forte e imbatível Santos nas semifinais, sendo eliminado pelo time paulista.
     O problema que acontece no estádio Olímpico é este, o quase. E durante estes dez anos, mesmo vivendo o “quase campeonato”, a torcida continuou indo ao Olímpico, pagando sua mensalidade e apoiando seu clube incontestavelmente. Mas como tudo nesta vida, há um limite. E a paciência e a dedicação do torcedor estão se esgotando. Talvez isso não só explique, mas justifique o que vem acontecendo nas arquibancadas do Monumental: vaias, vaias e mais vaias.
     Assim como nos últimos jogos pelo Campeonato Brasileiro, ontem o Grêmio realmente não teve uma boa atuação. Foram muitos passes errados, muita displicência, pouca garra e para não dizer nenhuma, foram pouquíssimas jogadas efetivas. A mudança na escalação feita pelo técnico Julinho Camargo com a entrada do atacante Miralles no lugar do garoto Leandro, deu a entender que algo ia mudar, para melhor. Uma esperança de gols aos pés de jogador tão pedido pela torcida. Não resolveu, pelo menos no primeiro tempo.

     A improvisação do zagueiro Saimon na lateral direita não rendeu. O jogador viu-se perdido taticamente em diversos lances do jogo, sendo salvo por Mário Fernandes, também zagueiro, que sem querer ou não, acabava dando conta do recado no lado direito, e que por sinal, sabe fazer muito bem. Lúcio que voltou a atuar pela lateral esquerda após ficar muito tempo no meio campo, também não teve um bom desempenho e ouviu muitas vaias e cobranças vindas das arquibancadas. O meia Douglas, como sempre, apostando nos seus passes de calcanhar (tudo bem que é bonito, mas quando não é eficaz, não dá), além de perder muitas bolas por falta de atenção. O centroavante André Lima ainda não deu resposta desde que voltou ao time titular após a lesão que o afastou do campo por três meses. Até mesmo o meia argentino Escudero, tão adorado pela torcida tricolor, recebeu vaias. No segundo tempo, mesmo com toda essa insuficiência em campo, o Grêmio conseguiu um empate com Miralles. Mas ficou só nisso, um empate com o fraco América-MG dentro de casa. E tudo isso acaba com a paciência de um torcedor que está a mais de dez anos esperando que algo aconteça. Esperando que aquele jogador que veste a camisa do clube tenha garra, força e dedicação. E quando isso não acontece, a torcida vai cobrar.
     E cobrou com razão. O Grêmio precisava da vitória ontem. Acima de tudo, precisava dos três pontos. Até agora, foram 11 rodadas disputadas pelo tricolor: 4 empates, 4 derrotas e apenas 3 vitórias. Dos jogos fora de casa a situação é preocupante: foram 3 derrotas, 1 empate e somente 1 vitória (com um gol contra do Atlético Paranaense). Mais preocupante ainda é o desempenho do time no Olímpico, sua casa: somam 3 empates, 2 vitórias e 1 derrota. Com todos esses números, o Grêmio se encontra na 14º posição da tabela do Campeonato Brasileiro.
     O próximo jogo é contra o Flamengo no estádio Engenhão, no Rio de Janeiro.
     Reação, força e vontade! É o que pede a impaciente torcida gremista.         

terça-feira, 26 de julho de 2011

A grandeza e a força do Internacional


     A Copa Audi, criada em comemoração ao centenário da empresa automobilística Audi, é sim, um torneio amistoso de pré-temporada. Mas não é um amistoso qualquer. Sua primeira edição, realizada estádio Allianz Arena, em Munique, na Alemanha no ano de 2009, teve a participação de grandes clubes como o Bayern Munique, Manchester United, Milan e Boca Juniors. Todos estes, foram convidados em função de terem conquistado grandes títulos nos anos anteriores.

   O Boca Juniors havia sido Campeão da Taça Libertadores da América em 2007 e Campeão da Recopa Sul Americana em 2008; O Milan, Campeão da UEFA Champions League (Liga dos Campeões da UEFA) 2006-07 e Campeão do Mundial de Clubes FIFA em 2007; O Manchester United havia sido Campeão da UEFA Champions League 2007-08 e também Campeão do Mundial de Clubes FIFA 2008; O Bayern Munique não chegou à tanto, mas havia sagrado-se Campeão Alemão de Futebol 2007-08. A Copa Audi reunira então, clubes de futebol que na época haviam conquistado grandes títulos.

     Assim como em 2009, a segunda edição do amistoso realizado agora em julho de 2011, também reúne os melhores times de futebol do momento. E são eles: Bayern Munique, Campeão da edição anterior da Copa Audi; Milan, Campeão da Liga dos Campeões da UEFA de 2006-07 e Campeão do Campeonato Italiano 2010-11; Barcelona, Campeão do Campeonato Espanhol 2009-10 e o Internacional, Campeão da Copa Libertadores da América 2010.

     O Internacional, em especial, vem de uma fase delicada no clube. Com a recente demissão do ídolo e então treinador, Paulo Roberto Falcão e do Vice de futebol, Roberto Siegmann, além das trocas de acusações e alfinetadas entre direção, técnico e comissão que vieram à público, ligadas a atuação do time no Campeonato Brasileiro, não vêm convencendo nem alegrando a torcida colorada.

     Com todos estes acontecimentos negativos para o clube, a participação do Internacional no torneio Copa Audi deve ser comemorada independente do resultado que o time conquistar. Primeiro que, não é qualquer time que tem a honra de integrar o elenco deste torneio, afinal, somente clubes com grandes destaques internacionais recebem o convite. Segundo que, acima de qualquer crise que o Colorado esteja vivendo, quer maior prova de fogo do que jogar contra o Bracelona? Mesmo ele desfalcado de grandes nomes como o de Messi, Piqué, Xavi, Mascherano, Gabriel Milito, Daniel Alves e Puyol, foi o Barcelona de Pedro, David Villa, Iniesta e Busquets, e mesmo assim, com grandes desfalques, o Barcelona deu aula de futebol. O time espanhol saiu na frente com um gol logo no começo da partida, deixando a entender que seria fácil a vitória. A pressão era grande. No primeiro tempo, a posse de bola era praticamente da equipe de Pep Guardiola com 68% de posse de bola. Mas o Internacional não se entregou. E foi no intervalo que algo aconteceu. O Barcelona fez sete substituições e o Inter apenas uma, mas a vontade e a garra falaram mais alto. O colorado voltou no segundo tempo pressionando até que empatou a partida. A alegria durou pouco. Logo o Barcelona fez mais um, esfriando a comemoração do Inter. Mesmo assim, ele não se entregou. Foi então que aos 39, Leandro Damião empatou com um gol de cabeça.

     O resultado? No tempo corrido: Barcelona 2 X 2 Internacional. Nos pênaltis: Barcelona 4 X 2 Internacional. O colorado não passou a fase final, mas merece o reconhecimento por participar de um torneio como a Copa Audi e fazer frente a um time como o Barcelona, mais uma vez.

     Um empate honroso de um clube grande, forte e guerreiro.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Exaltação no futebol



     A imprensa esportiva vive hoje uma fase de exagero. As críticas se voltam e se resumem com base no resultado final de uma partida. Não importa o aproveitamento que o time teve dentro de campo, se teve mais posse de bola ou foi melhor do que o adversário taticamente. Importa quem foi o vencedor, aquele que saiu com os três pontos.

    Futebol é sedutor. É o espetáculo de cada final de semana para os apreciadores do esporte. O brasileiro e o futebol têm uma ligação muito forte, a paixão. O torcedor espera que o jogador que defende seu time do coração, tenha atuações de um semideus. Ao escolher esta profissão, o jogador representa uma torcida, uma nação. Acontece que o atleta também é um ser humano, e às vezes nos esquecemos disto.

     Como disse o jornalista Mario Filho “o jogador sabe que o que queremos é que eles joguem por nós e para nós, e só por nós, para nós. Para nós a derrota só atinge a nós. Talvez admitamos, para argumentar, se alguém pretender advogar a causa do jogador, que o jogador também perde, também é derrotado, também sofre. Há até fotografias bem sugestivas de jogador chorando feito menino pequeno. Mas as lágrimas de um jogador derrotado não nos comovem. Mais facilmente nos parecem uma prova de fraqueza, uma confissão de culpa. A derrota coloca o jogador no banco dos réus. Tudo se resume na nossa recusa de ver no jogador um ser humano igual a nós. Mesmo quando dizemos este eu fazia, o que queremos não é reconhecer a condição humana do jogador. Pelo contrário: o que queremos dizer é que para perder um gol daqueles o jogador nem devia entrar em campo. Que podíamos entrar no lugar dele. E não procuramos exaltar-nos quando dizemos este eu fazia. Quando queremos reduzir um jogador a zero fazêmo-los à nossa imagem e semelhança, um ser humano com as nossas falhas e fraquezas”. (ANTUNES, 2004).

     Assim como os torcedores apaixonados, a mídia está cada vez mais crítica. Times como o Internacional, Campeão da Libertadores em 2010 e atual Campeão Gaúcho, hoje é alvo de duras cobranças, chegou a ser taxado como um grupo ruim por alguns jornalistas. Infelizmente a pressão vem também de dentro do grupo, como exemplo a declaração do técnico e ídolo colorado, Falcão, quando disse: “o atual grupo de jogadores do Inter não tem condições de vencer o Campeonato Brasileiro”. Eu não entendo. O grupo que Falcão se referiu é praticamente o mesmo que conquistou a Libertadores e o Gauchão. Teve a saída do volante Sandro e do atacante Taison, mas ganhou bons reforços como o volante Bolatti e o atacante Cavenaghi.

  Com base em quê Falcão chegou a esta conclusão? Em dois resultados ruins pelo campeonato brasileiro? Um empate fora e uma derrota em casa. Exagero! Dois resultados considerados “ruins” não podem tirar a grandeza de um time de uma hora para a outra. Exagero! E a mídia caiu em cima do técnico colorado, não poupando críticas e gerando um clima de crise no Beira-Rio, pois o técnico desacreditou no potencial de seus jogadores com base nos últimos dois resultados do time. Ontem era um timaço, hoje não tem condições de ganhar um campeonato. Vai entender. Mas como diz o jornalista Nando Gross “vivemos o momento do “Jornalismo declaratório”, tudo é levado ao extremo”.

     Futebol é decidido nos detalhes. Nem sempre o melhor time em campo sai vencedor. A qualidade técnica é muito importante sim, mas às vezes a sorte acaba por decidir um resultado final. Detalhes. Um jogador que perde um pênalti, por exemplo, é condenado pela torcida e só será perdoado quando fizer no mínimo três ou mais gols para compensar tal falha. É o preço a ser pago para cair de novo na graça dos torcedores. Um exemplo recente foi o lateral Gabriel, do Grêmio, no jogo contra o Vasco pela 5º rodada do campeonato brasileiro 2011 no estádio Olímpico. Primeiro tempo, o Grêmio estava bem na partida, tinha a posse da bola, e ganhou um pênalti a favor. Gabriel bateu e perdeu. Crucificado. Neste mesmo jogo o meio campo do tricolor não estava em uma boa fase, os meias Douglas e Lúcio e o volante Magrão tiveram uma fraca atuação. O goleiro da Seleção Brasileira Victor falhou no lance que levou o gol do Vasco. Mas quem foi crucificado? Gabriel. Um pênalti perdido. Detalhe que poderia mudar a cara da partida. Se Gabriel tivesse convertido a penalidade, a história seria outra.

     Nos estádios, vejo torcedor que uma hora intitula jogador X como o melhor do Brasil. Basta um lance errado e os elogios se transformam em palavrões, xingamentos e todas as críticas imagináveis àquele mesmo jogador X. O mais interessante é que naquele mesmo jogo, depois que o mesmo jogador virou a escória do time, se ele faz um gol, o torcedor vira para o torcedor que está do lado e diz: “É um craque! Eu te disse”. Ah a exaltação e o exagero. “A vitória é como uma varinha de condão que transforma um jogador num ente superior” (ANTUNES, 2004).

   A educação do torcedor precisa mudar, e logo. O Brasil está para sediar uma Copa do Mundo em 2014. O público esportivo precisa ter educação, apreciar o bom futebol! Xingamentos, críticas injustas, brigas e cobranças precisam ser deixadas de lado. E a imprensa tem que fazer o seu papel. Criticar menos, não ser tão rigorosa e principalmente não se basear em resultados e atuações individuais para gerar sua opinião. Valorizar mais os atletas e o bom futebol, que é um espetáculo.

    E cabe a nós, imprensa, reeducar nossos leitores, ouvintes, telespectadores, os torcedores. Concordo plenamente com Nando Gross que diz: “Não é assim (com críticas exageradas) que se analisa futebol. Por isso que tenho insistido, a imprensa precisa se interessar mais pelo jogo. Hoje vale o “jornalismo declaratório” e a estética do exagero.”

    Então vamos fazer a nossa parte. Somos sim, apaixonados pelo futebol. Por isso não vamos transformar este esporte magnífico em um campo minado. Jogadores são seres humanos como nós. Eles erram, acertam e precisam do nosso apoio para dar o seu melhor em campo. Chega de sensacionalismo negativo no futebol. Não à crítica exagerada!

     Encerro aqui com uma citação para refletirmos.

“Preocupa-me o exagero com que os fatos do futebol estão sendo tratados. É um jogo fascinante e esta análise violenta é totalmente fora de propósito. Quem sabe curtimos mais o futebol e nos estressamos menos?” (Nando Gross).

domingo, 3 de julho de 2011

E então, criei coragem.

E nem escrever, não, não acho mais que seja trabalho. Durante muito tempo achei que era. Agora não acho mais. Acho que é um não-trabalho. É atingir o não-trabalho. O texto, o equilíbrio do texto, é um espaço em si que é preciso reencontrar. Aqui não posso mais falar de economia, de uma forma, não, e sim de uma relação de forças. Não posso dizer mais que isso. É preciso chegar a dominar o que ocorre de repente. Lutar contra uma força que some e que somos obrigados a capturar sob pena de que ela se ultrapasse e se perca.  Abandonar, depois retomar, voltar atrás, ficar inconsolável tanto por ter deixado quando por ter abandonado. Desobstruir entre si. E depois, às vezes, sim, escrever. Todos andamos atrás desses instantes em que nos retiramos de nós mesmos, deste anonimato para nós mesmos que trazemos em nós. Não sabemos, não temos noção de tudo aquilo que fazemos.
Escrever, antes de mais nada, é um testemunho daquilo que é possível acontecer enquanto estamos ali, sentados à chamada mesa de trabalho, daquilo que engendra aquele fato material, de estarmos diante de uma mesa com as coisas necessárias para formar as letras sobre a página ainda intocada. Duras (1988, p.24).